A pretensão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) em projetar sua liderança política para a disputa da Presidência da República esbarra em números desfavoráveis nas pesquisas de intenção de voto. O pré-candidato amarga a marca de 1% das intenções de voto no plano nacional, segundo o levantamento mais recente do Datafolha.
O fraco desempenho nacional é acompanhado por dificuldades em sua base eleitoral de origem. Zema enfrenta o isolamento político em solo mineiro e observa o baixo rendimento do seu sucessor na gestão estadual, Mateus Simões (PSD), que disputa o comando do Palácio Tiradentes.
Apesar das declarações públicas de alinhamento político, Zema e Simões praticamente interromperam a rotina de agendas conjuntas no estado. O esvaziamento das participações casadas reflete o descompasso estratégico entre a campanha presidencial do Novo e as alianças locais construídas para o pleito de Minas Gerais.
Distanciamento de agendas e acenos ao bolsonarismo
A incompatibilidade dos compromissos ficou evidente ao longo do mês. Enquanto Zema realizou caminhadas em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Simões cumpriu agendas paralelas em municípios vizinhos, como Nova União e Bom Jesus do Amparo.
Em episódios seguintes na capital mineira, o presidenciável cumpriu rotina de visitas na Feira Hippie e na Igrejinha da Pampulha sem a companhia do seu ex-vice-governador. Ao ser questionado sobre o distanciamento, Zema atribuiu as ausências à intensidade das viagens pelo país.
“Como eu tenho percorrido todo o Brasil, acabou que não estou tão presente em Minas como gostaria.” — Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo
O cenário de divisão se aprofundou durante debate promovido pela Record Minas. Na ocasião, Mateus Simões declarou publicamente que apoiará Flávio Bolsonaro (PL) na eventual disputa de segundo turno na eleição presidencial.
O movimento escancarou o Pragmatismo do PSD mineiro, sigla que também formalizou o lançamento do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado ao Planalto e liberou os quadros regionais para alianças anti-esquerda.
Queda contínua nas pesquisas e hostilidade nas ruas
Os dados compilados pelo instituto Datafolha desenham uma trajetória de retração para o representante do Novo. Em meados de agosto, Zema registrava 3% das intenções de voto, oscilando negativamente para 2% no levantamento subsequente, até atingir o patamar atual de 1%.
Mesmo no recorte regional do eleitorado de Minas Gerais, onde foi eleito em primeiro turno em 2022 com 56,20% dos votos válidos, o ex-governador soma 10% das preferências, patamar consideravelmente inferior ao desempenho registrado nos pleitos estaduais anteriores.
“A campanha só acaba quando as urnas são abertas e apuradas, e quem acompanhou a minha eleição de 2018 sabe: tudo ocorre geralmente nos últimos dias.” — Romeu Zema, em agenda na capital mineira
A perda de apelo popular em redutos históricos também ficou demonstrada em Belo Horizonte, onde o candidato enfrentou protestos e vaias durante caminhadas públicas. A rejeição contrasta com o perfil antissistema que o catapultou ao Governo de Minas no pleito de 2018.
Sucessor no governo mineiro patina nas intenções de voto
No cenário estadual, a candidatura de Mateus Simões enfrenta paralela resistência. O atual governador aparece empatado numericamente com Flávio Roscoe (PL), ambos registrando 5% das intenções de voto no levantamento do Datafolha.
A marca deixa o candidato oficialista distante dos líderes da disputa local, encabeçada por Cleitinho Azevedo (Republicanos), seguido por Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT).
Mesmo dispondo da maior fatia do tempo de propaganda eleitoral na televisão e ostentando um índice de aprovação de governo de 41%, Simões ainda não converteu a estrutura administrativa em dividendos eleitorais. A seis dias da votação, a coordenação da campanha busca intensivizar participações em sabatinas e debates para tentar reverter a desvantagem.





