Um movimento de influenciadores digitais ligados ao segmento católico passou a atuar ativamente nas redes sociais para defender o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A mobilização ocorre no centro de uma polêmica envolvendo alegações falsas sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, tema que ganhou forte tração no debate eleitoral recente.
Criadores de conteúdo e lideranças religiosas publicaram vídeos e posicionamentos contestando as acusações e direcionando críticas à postura de adversários políticos. As publicações acumulam milhões de visualizações e engajam internautas na defesa da candidatura e dos símbolos religiosos.
Entre os nomes que encabeçam a reação está Leonardo Segundo, gestor da página “Segundo Católico”, que soma cerca de 1,2 milhão de seguidores no Instagram. Em vídeo divulgado na última segunda-feira (28), o influenciador compartilhou trechos de uma entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou a exploração da narrativa mesmo após classificações de agências de checagem e decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“O dado concreto que o presidente usa é o que está nas redes sociais, mesmo ele sabendo que é fake news, mesmo a imprensa e sites de checagem dizendo que é fake news, mesmo um ministro do TSE determinando a retirada de sites”, afirmou Leonardo Segundo.
Reação de advogados e padres nas redes
Outras figuras de relevância no meio religioso também se manifestaram publicamente sobre o assunto. O advogado Berthaldo Soares, fundador do programa “Tarde com Maria” e coautor do livro Fátima, que possui 174 mil seguidores, publicou mensagem convocando os fiéis a se posicionarem diante do cenário político.
“Nossa Senhora virou piada na cúpula do PT e isso jamais pode acontecer. Se a padroeira do nosso país é tratada dessa forma, o que será do nosso Brasil?”, questionou Berthaldo Soares em sua conta oficial.
O influenciador ressaltou ainda que a informação de que o candidato do PL pretendia retirar o título da padroeira foi negada categoricamente pela campanha, tratando-se de uma peça de desinformação que ganhou força no debate público.
No mesmo tom, o padre Fabiano Moura, que conta com 774 mil seguidores na rede social, utilizou uma parábola reflexiva em vídeo para abordar o tema com seus fiéis. Na gravação, o sacerdote encena um diálogo sobre as verdadeiras dores da figura religiosa diante dos problemas sociais do país.
“Choro pelos meus filhos. Choro quando vejo que a corrupção tira o remédio de quem não precisa, quando rouba dinheiro dos aposentados, quando o tráfico governa. Eu não choro por perder o título”, declarou o sacerdote na reflexão em vídeo.
Ao final do conteúdo, o religioso questionou os seguidores sobre as pautas em discussão na corrida presidencial: “Como filho de Nossa Senhora, o que acha que faz Nossa Senhora chorar? As fake news contra ela ou a dor de ver quem defende a interrupção de uma gravidez?”, completou.
Posicionamento e impacto no cenário eleitoral
Aliados políticos de Flávio Bolsonaro interlocutados pela imprensa afirmam que a reação observada entre as lideranças digitais ocorre de forma espontânea, sem coordenação ou vínculo formal com a estrutura oficial da campanha presidencial.
Interlocutores do candidato ressaltam o histórico de posicionamentos da doutrina da Igreja Católica e argumentam que a agenda defendida pelo parlamentar possui maior alinhamento com os valores do eleitorado cristão.
A controvérsia em torno da imagem religiosa tornou-se um dos temas centrais de embate político na reta final do primeiro turno, mobilizando lideranças evangélicas e católicas em diferentes plataformas digitais.





