O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, confirmou que o envolvimento de cidadãos brasileiros no conflito entre Rússia e Ucrânia atingiu marcas alarmantes. Dados oficiais apontam que, até o momento, já foram registrados 38 brasileiros mortos e 102 desaparecidos em virtude das operações militares no Leste Europeu.
A imensa maioria das vítimas integrava o exército ucraniano, somando 36 mortos e 92 desaparecidos do lado de Kiev. Já do lado das forças russas, as autoridades brasileiras contabilizam duas mortes e dez combatentes cujo paradeiro permanece incerto.
O crescimento no volume de casos tem sido exponencial ao longo dos últimos anos. Em 2024, o governo brasileiro havia registrado cinco desaparecimentos, número que subiu para 30 em 2025 e saltou para 67 novos registros somente em 2026. A estatística de óbitos seguiu a mesma trajetória ascendente: foram cinco casos em 2024, 13 em 2025 e 14 até setembro de 2026.
“O Itamaraty vê com grande preocupação o crescimento no número de brasileiros que se engajam no conflito russo-ucraniano, refletido também no número de mortes e desaparecimentos em combate entre nossos nacionais”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
Promessas frustradas e treinamento curto
Entre os nomes confirmados na lista de mortos está o de Eliseu Delis Pereira Martins, de 32 anos. Natural de Dois Irmãos, no Tocantins, o profissional trabalhava na Europa como instalador de papéis de parede e revestimentos. Em março de 2026, ele assinou contrato para se juntar às Forças Armadas da Ucrânia.
Inicialmente, o trabalhador havia garantido à família que atuaria unicamente em funções de suporte e reconstrução de cidades. No entanto, ao assinar o vínculo oficial, foi informado de que iria para a linha de frente de combate. O período de instrução tática, que deveria durar 60 dias, foi reduzido para menos de duas semanas.
A primeira missão de Eliseu ocorreu no dia 16 de abril de 2026. Acompanhado por outros três combatentes, ele caminhou por dois dias carregando equipamentos de quase 50 quilos. Sem mapa físico e comunicando-se apenas por rádio, o grupo perdeu a rota planejada e acabou surpreendido por um ataque de drones russos enquanto descansava próximo a um rio. Os quatro homens morreram no local.
“A gente assina o contrato e é tudo totalmente diferente. O meu filho falou que ia ajudar na reconstrução, mas na primeira missão foi enviado diretamente para o combate”, relatou Joana Maria Martins, mãe de Eliseu.
Dificuldades consulares e alertas aos brasileiros
Passados cinco meses desde o bombardeio, a família de Eliseu ainda não conseguiu recuperar o corpo do brasileiro. De acordo com relatos transmitidos pela própria unidade militar às famílias, as áreas de combate intenso impedem o resgate de cadáveres e a realização de funerais.
A embaixada brasileira e o Itamaraty renovaram os alertas consulares referentes aos riscos da região. O governo destaca que muitos voluntários são atraídos por falsas promessas de salários elevados e atuações longe do perigo, como operadores de drones ou motoristas, mas acabam redirecionados para o front sem preparo adequado.
Além disso, a diplomacia brasileira ressalta que, ao assinar o contrato militar com um país estrangeiro, o indivíduo fica submetido ao direito interno daquela nação. Isso reduz de forma drástica a capacidade de intervenção consular do Brasil em casos de retenção de documentos, atrasos salariais ou impedimento de desistência do conflito.




